
O evangelho da graça continua a escandalizar. Os legalistas, puritanos, profetas da destruição e cruzados morais estão tendo uma sonora convulsão diante do ensino paulino da justificação pela graça mediante a fé.
Eles ressentem-se da liberdade dos filhos de Deus e descartam-na como libertinagem. Eles não querem que o cristianismo nos ajude a nos tornarmos pessoas completas; querem que nos sintamos miseráveis debaixo do seu fardo. Eles procuram intimidar-nos, amedrontar-nos, fazer-nos trilhar em fila sua via exclusiva de retidão, e controlar em vez de libertar nossa vida.
Seu espírito pervertido de legalismo quer mutilar o espírito humano e deixar-nos arqueados sob o peso de enormes carretéis de regras e regulamentos. A natureza notável da dedicação deles — o fanatismo é sempre impressionante — obscura o fato de que aceitaram o evangelho na teoria mas negam-no na prática.
Essas criticas podem parecer cáusticas, mas são na verdade brandas se comparadas com as palavras de Jesus em Mateus 23, onde ele descompõe os legalistas pelo apego sistêmico a ninharias que obscurecem o rosto de um Deus compassivo. "Impostores, mentirosos, hipócritas, sepulcros caiados, serpentes, ninhada de víboras" — essa é a indomável fúria de Jesus contra a prática religiosa corrupta (é claro que sou defendido bem demais por minhas próprias racionalizações para ser capaz de perceber que posso não ser tão diferente dos hipócritas quanto gostaria de pensar).
Imagem no contexto original: romfreire.blogspot.com/2007_06_01_archive.html