23 de Junho de 2009

CELEBRO FEITO CRIANÇA, COMO NUNCA!

No ano de 1952 Salvador, o meu pai, falecido em 2001, converte-se ao protestantismo histórico e deixa o catolicismo para ingressar na Igreja Presbiteriana Independente (IPI). Ainda nos anos cinqüenta, prestes a iniciar estudos teológicos no Seminário Presbiteriano do Sul, deixa a IPI e migra para a Assembléia de Deus, contagiado pelo fervor dos pentecostais. Sempre digo que meu pai nunca deixou de ser presbiteriano; apenas agregou alguns elementos fundantes da teologia pentecostal e mudou de denominação para, livre de hostilizações, prosseguir a caminhada. Isso fez dele um inveterado descontente com as mazelas e meninices do meio assembleiano, no qual permaneceu por mais de 40 anos, até a morte. Já nos anos finais da vida, revelou-me, mostrando-se decepcionado com a ética assembleiana, a saudade da sua origem evangélica e certo desejo de retornar ao presbiterianismo.

Eu, entretanto, nasci e cresci sob a égide da conversão do meu pai. Não me ocorreu a metamorfose da personalidade como a que acontecera com ele. Cuidado e doutrinado para o não envolvimento com o “mundo”, existi sempre na condição de “filho de lar evangélico”. Na segunda metade dos anos setenta, sem a experimentação de uma transformação radical que caracterizasse claramente o eu que entendia ser “novo nascimento”, fiz a “profissão de fé” e fui batizado por imersão. Lembro-me ainda da data memorável na vida do pentecostal; o dia do “batismo com o Espírito Santo", evidenciado com o falar em língua estranha. No dia 11 de dezembro de 1983, um domingo, no culto da tarde, enquanto o pregador solenemente lia no capítulo 17 do evangelho de João, verso 17, “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”, eu falei a tão desejada língua estranha. Celebrei feito criança, como nunca.

Contudo, veladamente sempre padeci pelo fato de não poder referenciar a minha conversão, enquanto processo de reorganização da minha personalidade, semelhante ao que aconteceu, por exemplo, com o apóstolo Paulo, Agostinho de Hipona e o indiano Sadhu Sundar Singh. Devida a condição de “criado no evangelho”, nunca consegui dividir minha vida em termos de antes e depois da conversão, não fui envolvido pelo êxtase emocional dos que são alçados a um modelo de significação que desestrutura para reorganizar a vida. Por vezes, me senti diminuído ante os testemunhos de crentes que experimentaram pregressa vida na devassidão, mudada no ato da conversão. Por tradição, existi na “religião de segunda mão”, legado do meu pai.
Com o passar dos anos, descubro que, em meio a essa latente falta de referência, se aprofunda uma crise com relação àquele modelo de significação herdado por osmose. Ocorre uma ansiedade por algo que não pode ser satisfeito pelas articulações da espiritualidade a mim imposta que, constatei, privilegiava o instituto do dogma e da culpa, legitimadores do medo. Descubro-me imerso nos ensinamentos de Jesus sem antes ter vivido a emoção primeira de saber quem foi Jesus. Cuido que por essa causa, há muito, vinha percebendo a necessidade de estabelecer uma nova comunicação com o meu Deus.
Nos últimos tempos, experimentei uma nova leitura da Bíblia. Embora, para mim, ainda desprovida de profunda elaboração lógica e metafísica, essa nova leitura do texto sagrado alvora alguns lampejos que clareiam-me o espírito. Contemplo o Deus das Escrituras primordialmente amoroso, que propõe uma visão restauradora do mundo, que privilegia a vida e promulga o Reino aqui, e a partir do agora. Descubro que a revelação de Deus, bem como a revelação da própria humanidade, é um processo contínuo, que não pode cristalizar-se na religião estática, a dos dogmas definitivos.
Excitado pela descoberta, dou conta de que, nesse desenvolvimento espiritual, sem surto dramático, sem ruptura explosiva, os postulados da minha fé pueril estão em estado de resignificação; da degradada religião do medo, transmuto-me para o Evangelho da Graça que “ele [Deus] nos concedeu gratuitamente no Amado”.
Nessa irrupção aparentemente serena, diante do misterioso e do maravilhoso, entrei em êxtase. Não consigo explicar o que está acontecendo comigo, mas estou convicto de que me converti.
Vivo um novo Pentecostes. Como evidência, passo a falar nova língua; a língua do amor de Deus, estranha a alguns (até próximos), mas perfeitamente compreensível a outros (até mais distantes), na sua própria língua. Celebro feito criança, como nunca!

Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas”.
(2 Coríntios 5:17, NVI)

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16 de Maio de 2009

ONDE CHEGOU A IGREJA


Richard Halverson

No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo.

Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia.

Depois, chegou à Roma e tornou-se uma instituição.

Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura.

E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio.
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12 de Abril de 2009

Aleluia! Deus não é doido!

Marcelo Quintela

... As próximas manifestações do Amor de Deus na Terra serão clandestinas à igreja que O representa! O Evangelho crescerá à margem porque a igreja provou-se excessivamente "justa": Quando chama, ameaça; quando recebe, segrega; quando converte, clona; e quando santifica, infla o indivíduo de si próprio! Daí cruzarem os mares para fazer um prosélito e o tornarem duas vezes mais merecedor do inferno; pois agora ao pecado comportamental juntou-se o cinismo e a hipocrisia religiosa!Dessa forma, percebo com pesar que aqueles que mandam descer fogo do céu sobre os homossexuais não sabem de que espírito são!
O Filho do Homem veio salvar, ainda. Veio buscar a mim e a eles, visto sermos todos iguais. Os segredos dos corações dos homens ainda não foram revelados e a História ainda não acabou; contudo a "igreja" impôs-se à incumbência de passar o restante dela julgando preventivamente, querendo administrar o caos, nominar-se trigo, classificar o joio, organizar a Queda.

Sinceramente, penso que a cristandade segue aperfeiçoando sua "herança romano-puritana" de domar genitálias alheias, como quem circuncida gentios para apresentá-los diante da Santa Grei em Jerusalém, a fim de torná-los palatáveis dentro de nossas Sinagogas Cristãs...Mas Deus não precisa da igreja. Aleluia! Deus não é doido!

30 de Março de 2009

ESSA É UMA OCUPAÇÃO DOS QUE QUEREM BRINCAR DE DEUS

William P. Young, em A CABANA, p. 165, 166 e 168

(Jesus conversa com Mack Allen)

- Por mais bem intencionada que seja, você sabe que a máquina religiosa é capaz de engolir as pessoas! Disse Jesus, num tom meio cortante.
- Uma quantidade enorme das coisas que são feitas em meu nome não têm nada a ver comigo. E freqüentemente são muito contrárias aos meus propósitos.
- Você não gosta muito de religião e de instituições? Perguntou Mack, sem saber se estava fazendo uma pergunta ou uma afirmação.
- Eu não crio instituições. Nunca criei, nunca criarei.

- E a instituição do casamento?
- O casamento não é uma instituição. É um relacionamento.
Jesus fez uma pausa e retomou, com a voz firme e paciente:
- Como eu disse, não crio instituições. Essa é uma ocupação dos que querem brincar de Deus. Portanto, não, não gosto muito de religiões e também não gosto de política e nem de economia.
A expressão de Jesus ficou notavelmente sombria.
- E por que deveria gostar? É a trindade de terrores criada pelo ser humano que assola a Terra e engana aqueles de quem eu gosto. Quantos tormentos e ansiedades relacionados a uma dessas três coisas as pessoas enfrentam!

Mack hesitou. Não sabia o que dizer. Tudo parecia um pouco excessivo. Notando que os olhos de Mack estavam ficando vidrados, Jesus baixou o tom.
- Falando de modo simples, religião, política e economia são ferramentas terríveis que muitos usam para sustentar suas ilusões de segurança e controle. As pessoas têm medo da incerteza, do futuro. Essas instituições, essas estruturas e ideologias são um esforço inútil de criar algum sentimento de certeza e segurança onde nada disso existe. É tudo falso! Os sistemas não podem oferecer segurança, só eu posso.

- Mack, o sistema do mundo é o que é. As instituições, as ideologias e todos os esforços vãos e inúteis da humanidade estão em toda parte e é impossível deixar de interagir com tudo isso. Mas eu posso lhe dar liberdade para superar qualquer sistema de poder em que você se encontre, seja ele religioso, econômico ou político. Você terá uma liberdade cada vez maior de estar dentro ou fora de todos os tipos de sistemas e de se mover livremente entre eles. Juntos, você e eu podemos estar dentro do sistema e não fazer parte dele.
"Um fenômeno de público e de imprensa, o livro 'A Cabana' , do canadense William Young, conta a história de um homem que, deprimido e revoltado por causa do assassinato da filha pequena, tem a oportunidade ímpar de discutir seus ressentimentos com ninguém menos que Deus, em tríplice encarnação. Num mundo em que religião parece tornar-se irrelevante, 'A Cabana' invoca a pergunta: 'Se Deus é tão poderoso e tão cheio de amor, por que não faz nada para amenizar a dor e o sofrimento do mundo? '"
Imagem originalmente postada em: malprg.blogs.com/.../03/o_totalmente_ou.html

19 de Fevereiro de 2009

Elienai Cabral Jr.



As palavras de Deus, quando separadas da Palavra de Deus, tornam-se palavras do Diabo.

22 de Janeiro de 2009

Não tenho o menor interesse em seguir um deus que usa o sofrimento



"Foi uma grande fatalidade o que ocorreu. Não sabemos o motivo. Mas há de haver um propósito para tal sofrimento. Nosso coração está enlutado, sofrendo muito, pelas vidas, pelas vítimas, pela situação, pela calamidade. Esperamos que em Deus possamos ter o entendimento e o conforto desta enorme tragédia"


A declaração é parte da mensagem do Apóstolo Estevam Hernandes e da Bispa Sônia, dirigida aos membros da Igreja Renascer em Cristo, cujo templo sede em São Paulo desabou no dia 18 de janeiro, sobre mais de uma centena de fiéis, ceifando a vida de pelo menos nove pessoas.

Estou certo que, nesse momento de luto e dor, resta-nos pouco a fazer que não seja solidarizar e orar com aqueles que foram diretamente afetados por essa tragédia, principalmente com aqueles que ficaram sem os entes queridos, atingidos mortalmente no culto daquele fatídico dia.

Mas, apesar da gravidade do episódio, permitam-me apenas dizer que não tenho o menor interesse em seguir um deus que usa o sofrimento para estabelecer o seu propósito no mundo.

O Deus que encontrei é amoroso e suficientemente capaz para transformar em benção as tragédias ocasionadas por nós. Entretanto, a Escritura nos deixa claro que Ele jamais utilizaria a desgraça como instrumento para fazer valer o seu intento para a humanidade.

Carecemos aprender a assumir os nossos erros, deixando de, comodamente, lançar a responsabilidade pelas nossas mazelas no colo de Deus ou, ainda, na cacunda do diabo.

"Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. (Gálatas 6:7)

Imagem no contexto original: eraduasvezes.blogs.sapo.pt/

Vamos nos beijar lentamente, vamos amar de verdade


A morte não tem educação. Ela não bate à porta. Ela não pede licença para entrar, como se queixa o profeta Jeremias: “A morte subiu e penetrou pelas nossas janelas e invadiu as nossas fortalezas, eliminando das ruas as crianças e das praças os rapazes” (Jeremias 9.21).

Portanto, vamos nos perdoar rápido, vamos nos beijar lentamente, vamos amar de verdade, vamos rir descontroladamente, vamos valorizar tudo que há de bom e nos faz sorrir. E, mais do que tudo, vamos nos aproximar cada vez mais de Deus, com quem nos encontraremos face a face logo depois da morte!

Revista Ultimato - Edição 314

7 de Janeiro de 2009

ENTRE NO NOVO PAÍS

Henri J. M. Nouwen, em "A voz íntima do amor"

Você tem uma idéia de como é o novo país; apesar disso, sente-se muito à vontade, embora não verdadeiramente em paz, no velho país.
Você conhece os jeitos do velho país, suas alegrias e suas dores, seus momentos felizes e seus momentos tristes. Lá passou a maior parte dos seus dias. Apesar de não ter encontrado ali o que seu coração mais ambiciona, permanece um tanto apegado a ele, tornou-se parte dos seus próprios ossos.

Agora chegou a compreender que deve deixá-lo e entrar no novo país onde o seu Amado reside. Você sabe que o que o ajudou e o guiou no velho país não vigora mais, mas o que mais você tem que seguir? A você está sendo pedido que confie que irá encontrar no novo país aquilo de que necessita. Isso exige a extinção do que se tornou tão precioso para você: influência, sucesso, até mesmo afeição e louvor.

Confiar é tão difícil, uma vez que não tem nada em que se apoiar. Apesar disso, a confiança é essencial. O novo país é onde você está sendo chamado a ir e, para isso, é preciso que esteja despido e vulnerável.

Parece que você continua cruzando e recruzando a fronteira. Por pouco de tempo, goza de verdadeira alegria no novo país, mas depois sente medo e começa a sentir falta de tudo o que deixou para trás de si, e assim volta ao velho país. Para sua surpresa, descobre que o velho país perdeu seu encanto. Arrisque mais alguns passos no novo país, confiando que, cada vez que entrar nele, você se sentirá mais confortável e capaz de ficar por mais tempo.

6 de Janeiro de 2009

Só doutrina não é suficiente


Sally Morgenthaler

Só doutrina não é suficiente; doutrina colocada em prática na vida irá fazer a diferença entre eficiência e ineficiência no panorama espiritual, se quisermos alcançar adultos ou adolescentes.
O mundo pós-moderno e pós-cristão é relacional em sua essência. Está muito mais interessado no “ser” que no “conhecer”.
Como cristãos, o mais difícil nesse novo mundo é que não mais seremos capazes de impactar o mundo simplesmente declamando nossa teologia. Teremos de viver essa teologia “ em voz alta” – radicalmente.

Citação de Dan Kimball em A Igreja Emergente, Editora Vida

13 de Dezembro de 2008

Liberta-nos de ter respostas para tudo. Liberta-nos de sempre ter de estar certos

Rob Bell
em
Repintando a Igreja: Uma visão contemporânea

O Cristão não foge das perguntas, ele as abraça. Na verdade, para buscar verdadeiramente o Deus vivo, temos de enxergar a necessidade de fazer perguntas.

As perguntas não são assustadoras. O que assusta é as pessoas não terem pergunta alguma.

Tragédia é uma fé que não tem espaço para perguntas.

“Por que Deus permite que algumas pessoas morram... tão jovens?”

“Ao que parece, as pessoas medíocres ganham mais dinheiro. Por quê?”

“Por que o assassino fica livre e o homem honesto morre de câncer?”

“Às vezes chego a duvidar de que Deus está presente na África faminta, desnutrida e agonizante.”

“Se é possível pedir perdão a Deus no último instante de vida, por que, então, procurar viver uma vida de fé agora?”

"Deus está no controle de tudo e, portanto, toda essa porcaria estúpida que vemos hoje faz parte do plano dele (que eu não quero aceitar), ou está tudo fora de controle (o que também é uma porcaria). Afinal o que é que há?”

Por sua própria natureza, a pergunta indica que a pessoa que a faz não tem todas as respostas. E, por não ter todas as respostas, as pessoas procuram orientação fora delas mesmas.

Por mais desconcertantes, blasfemas, arrogantes, ignorantes ou grosseiras, as perguntas baseiam-se na humildade. A humildade que faz a pessoa compreender que não é Deus e que há muito mais por saber e aprender.

Os questionamentos trazem liberdade. A liberdade de que eu não tenho de ser Deus e não tenho de fingir que tenho todas as explicações. Posso deixar Deus ser Deus.
Talvez seja gente assim que Deus procura, pessoas que não aceitam simplesmente, sem questionar, tudo que ocorre a sua volta.

No Salmo 13, Davi diz ao Senhor:
Até quando, Senhor?
Para sempre te esquecerás de mim?
Até quando esconderás de mim o teu rosto?
Até quando terei inquietações e tristeza no coração dia após dia?
Até quando o meu inimigo triunfará sobre mim?
Olha para mim e responde, Senhor, meu Deus.


Que palavras Jesus disse em seus momentos finais na cruz?

“Meus Deus, meu Deus, por que me desamparaste?”

Jesus. Na cruz. Questionando Deus.

A arte de questionar Deus é fundamental para a experiência cristã. Não de forma beligerante, nada de pergunta arrogantes, sem nenhum respeito pelo Criador, mas perguntas abertas, sinceras, sensíveis, cruas. Perguntas que surgem do assombro causado pela situação de diálogo com o Deus vivo.

Esse tipo de questionamento nos liberta. Liberta-nos da obrigação de ter tudo sob controle. Liberta-nos de ter respostas para tudo. Liberta-nos de sempre ter de estar certos. Permite-nos ter momentos em que chegamos ao limite de nossa capacidade de compreensão. Momentos em que o silêncio basta.


ROB BELL é pastor da Mars Hill Bible Church, nos Estados Unidos. É graduado pelo Wheaton College e pelo Fuller Theological Seminary, em Pasadena, Califórnia.

27 de Novembro de 2008

A angústia nasce da necessidade de escolher

Daniel Munduruku

Penso nisso sempre que me confronto com uma constatação: entre os índios não existe crise existencial. Paro e me pergunto por quê. Constato de novo que entre os povos indígenas não se criam angústias. As crises nascem da angústia. A angústia nasce da necessidade de escolher...Isso vira um círculo vicioso, e o vício torna a vida uma busca insana pela felicidade, que, dizem, se encontra no conforto, na fuga da dor, no consumo.

O consumo, por sua vez, torna as pessoas egoístas e o egoísmo traz a solidão; e a solidão, a tristeza; e a tristeza, a falta de alegria; e a falta de alegria gera a angústia; e a angústia traz a crise, e esta é causada pela falta de rituais que dêem sentido à existência das pessoas.

As pessoas não têm onde se apegar, pois não têm uma tradição, uma ancestralidade.

Daniel é índio da tribo Munduruku no Pará, formado em Filosofia e licenciado em História e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Foi aluno do curso de pós-graduação em Antropologia Social, na mesma universidade.

Imagem: Sergio Martínez Sánchez Fechas, na página: umblogquesejaseu.blogspot.com/2008/01/estou-v...

5 de Novembro de 2008

A lógica profética do cristianismo entra em contradição com a lógica do marketing

Jung Mo Sung

Recentemente o jornal O Estado de São Paulo reproduziu um artigo publicado nos Estados Unidos sobre a prática de diversas igrejas evangélicas usarem o video-game Halo 3 (um jogo extremamente violento que está fazendo muito sucesso) para atrair jovens às igrejas. O argumento é simples: as igrejas precisam e desejam atrair jovens para lhes pregar o evangelho e a mensagem de paz, mas como os jovens parecem não ter interesse nesse tipo de assunto, elas decidiram lhes o que eles querem (a oportunidade de jogar em grupos um video-game da moda) e depois tentam lhes anunciar a boa-nova de Jesus.
A principal discussão em torno desse assunto é se a experiência do jogo violento no interior da igreja não vai contra a mensagem de paz que a mesma igreja tenta pregar.

Sem entrar na discussão sobre a contradição ou não entre um video-game violento e a mensagem de paz (apesar de que nem sempre o que as igrejas pregam são realmente mensagens de paz), eu quero chamar atenção para o fato de que a lógica por trás dessa estratégia pastoral é a aplicação no campo religioso da lógica de marketing: pesquisar os desejos do público alvo e adequar a oferta a esses desejos.
Quando o objetivo maior de uma igreja é aumentar o número dos fiéis, parece-me bastante razoável que se aplique a lógica e as técnicas de marketing ao campo religioso. Pois, se há uma "ciência" bem desenvolvida para atender os desejos de seu público alvo e aumentar a fatia no "mercado" (seja religioso ou um outro) é o marketing.
Esta é a razão pela qual o uso da lógica de marketing não está restrito às igrejas dos Estados Unidos, mas também em outros países como Brasil. Há setores das igrejas cristãs que acreditam que a solução para os problemas pastorais e, especialmente, para fazer a igreja crescer (quantitativamente) está no marketing.
Esta proposta é bastante sedutora, pois muitos bispos e lideranças das igrejas estão, com certa razão, preocupados com o número de fiéis. E como as teologias tradicionalmente utilizadas nos seminários e nas pastorais não estão conseguindo solucionar este problema, marketing soa como uma inovação salvadora. Assim, muitas igrejas cristãs (inclusive a católica) possuem ou estão criando institutos de marketing a ou algo que parece como "departamento de marketing" no interior das igrejas.

O maior problema dessa tendência é que a lógica profética do cristianismo entra em contradição com a lógica do marketing. As igrejas e pessoas que assumem a missão de anunciar a boa-nova do Evangelho devem ouvir em primeiro lugar a Palavra de Deus, e não os desejos dos "consumidores". Pois se missão cristã é simplesmente atender os desejos religiosos do povo para encher as suas igrejas, o chamado à conversão não faz sentido. A conversão só ocorre porque as pessoas encontram valores e propostas que são diferentes do que estão desejando.
Oferecer viodeo-games violentos, adocicar a mensagem cristã ou reduzir as liturgias a shows emotivos pode ajudar encher as igrejas, mas é também correr um sério risco de esvaziar ou até mesmo negar o evangelho.

Por outro lado, eu penso que as igrejas podem e até devem levar em consideração as técnicas de comunicação e de marketing na sua missão profética de criticar as injustiças e desumanidades que marcam o nosso mundo e anunciar a esperança de um mundo mais humano.
A lógica do marketing não é compatível com a missão cristã, mas há técnicas e conhecimentos utilizados pelo pessoal do marketing que podem ser aproveitados em outras lógicas. Um exemplo simples disso: o uso das técnicas de comunicação visual na confecção de materiais das lutas sociais. O equívoco do pessoal que acreditam que o marketing é a "salvação" para a pastoral não pode nos levar a outro equívoco de não aprendermos os conhecimentos e técnicas utilizados no campo de marketing que poderiam ser muito úteis na nossa missão profética.

30 de Outubro de 2008

Eles não querem que o cristianismo nos ajude a nos tornarmos pessoas completas

Brennan Manning in "O Evangelho maltrapilho"

O evangelho da graça continua a escandalizar. Os legalistas, puritanos, profetas da destruição e cruzados morais estão tendo uma sonora convulsão diante do ensino paulino da justificação pela graça mediante a fé.
Eles ressentem-se da liberdade dos filhos de Deus e descartam-na como libertinagem. Eles não querem que o cristianismo nos ajude a nos tornarmos pessoas completas; querem que nos sintamos miseráveis debaixo do seu fardo. Eles procuram intimidar-nos, amedrontar-nos, fazer-nos trilhar em fila sua via exclusiva de retidão, e controlar em vez de libertar nossa vida.
Seu espírito pervertido de legalismo quer mutilar o espírito humano e deixar-nos arqueados sob o peso de enormes carretéis de regras e regulamentos. A natureza notável da dedicação deles — o fanatismo é sempre impressionante — obscura o fato de que aceitaram o evangelho na teoria mas negam-no na prática.

Essas criticas podem parecer cáusticas, mas são na verdade brandas se comparadas com as palavras de Jesus em Mateus 23, onde ele descompõe os legalistas pelo apego sistêmico a ninharias que obscurecem o rosto de um Deus compassivo. "Impostores, mentirosos, hipócritas, sepulcros caiados, serpentes, ninhada de víboras" — essa é a indomável fúria de Jesus contra a prática religiosa corrupta (é claro que sou defendido bem demais por minhas próprias racionalizações para ser capaz de perceber que posso não ser tão diferente dos hipócritas quanto gostaria de pensar).

12 de Outubro de 2008

JAMAIS NOS ENGANAREMOS


É possível nutrirmos a ilusão que somos amados por um deus que nos priva da liberdade, mas jamais nos enganaremos tentando admitir que servimos em correspondência amorosa a um deus que nos priva da liberdade.
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"Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão".
(Ap. Paulo aos Gálatas 5:1)
Imagem no seu contexto original: asoscomeles.blogspot.com/2007/06/1jul2007.html

19 de Setembro de 2008

VINNY, O SOTEROPOLITANO DA MINHA VIDA

Tim Maia

Vou pedir pra você ficar
Eu te amoEu te quero bem
Vou pedir pra você gostar
Vou pedir pra você me amar
Eu te amo
Eu te adoro, meu amor!

A semana inteira fiquei esperando
Pra te ver sorrindo
Pra te ver cantando
Quando a gente ama não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar

De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isso que eu espero
Digo ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!
Espero para ver se você vem
Não te troco nessa vida por ninguém
Eu te amo!
Eu te quero bem
Acontece que na vida a gente tem
Que ser feliz por ser amado por alguém
Eu te amo
Eu te adoro, meu amor!

14 de Agosto de 2008

Queremos voltar para o Egito, onde havia cebolas

Paulo Brabo

Nossas crenças são âncoras de legitimação, que nos mantém seguros no lugar mas nos impedem de seguir adiante – o que, convenhamos, é muito conveniente. Quem iria em sã consciência escolher abandonar o abraço confirmatório da crença comum e dar um passo em direção à vertigem da fé, ao desafio de tornar-se um indivíduo separado, distinto e singular (numa palavra, santo) diante de Deus? Queremos voltar para o Egito, onde havia cebolas; não suportamos o desafio constante, sempre iminente, sempre exigente, do deserto.

Extraido daqui: http://www.baciadasalmas.com/2007/minha-fe-nao-e-aquilo-em-que-acredito/
Imagem no contexto original: brincadeirasalaiadefuga.blogspot.com/2007/03/...