13 de dezembro de 2008

Liberta-nos de ter respostas para tudo. Liberta-nos de sempre ter de estar certos

Rob Bell
em
Repintando a Igreja: Uma visão contemporânea

O Cristão não foge das perguntas, ele as abraça. Na verdade, para buscar verdadeiramente o Deus vivo, temos de enxergar a necessidade de fazer perguntas.

As perguntas não são assustadoras. O que assusta é as pessoas não terem pergunta alguma.

Tragédia é uma fé que não tem espaço para perguntas.

“Por que Deus permite que algumas pessoas morram... tão jovens?”

“Ao que parece, as pessoas medíocres ganham mais dinheiro. Por quê?”

“Por que o assassino fica livre e o homem honesto morre de câncer?”

“Às vezes chego a duvidar de que Deus está presente na África faminta, desnutrida e agonizante.”

“Se é possível pedir perdão a Deus no último instante de vida, por que, então, procurar viver uma vida de fé agora?”

"Deus está no controle de tudo e, portanto, toda essa porcaria estúpida que vemos hoje faz parte do plano dele (que eu não quero aceitar), ou está tudo fora de controle (o que também é uma porcaria). Afinal o que é que há?”

Por sua própria natureza, a pergunta indica que a pessoa que a faz não tem todas as respostas. E, por não ter todas as respostas, as pessoas procuram orientação fora delas mesmas.

Por mais desconcertantes, blasfemas, arrogantes, ignorantes ou grosseiras, as perguntas baseiam-se na humildade. A humildade que faz a pessoa compreender que não é Deus e que há muito mais por saber e aprender.

Os questionamentos trazem liberdade. A liberdade de que eu não tenho de ser Deus e não tenho de fingir que tenho todas as explicações. Posso deixar Deus ser Deus.
Talvez seja gente assim que Deus procura, pessoas que não aceitam simplesmente, sem questionar, tudo que ocorre a sua volta.

No Salmo 13, Davi diz ao Senhor:
Até quando, Senhor?
Para sempre te esquecerás de mim?
Até quando esconderás de mim o teu rosto?
Até quando terei inquietações e tristeza no coração dia após dia?
Até quando o meu inimigo triunfará sobre mim?
Olha para mim e responde, Senhor, meu Deus.


Que palavras Jesus disse em seus momentos finais na cruz?

“Meus Deus, meu Deus, por que me desamparaste?”

Jesus. Na cruz. Questionando Deus.

A arte de questionar Deus é fundamental para a experiência cristã. Não de forma beligerante, nada de pergunta arrogantes, sem nenhum respeito pelo Criador, mas perguntas abertas, sinceras, sensíveis, cruas. Perguntas que surgem do assombro causado pela situação de diálogo com o Deus vivo.

Esse tipo de questionamento nos liberta. Liberta-nos da obrigação de ter tudo sob controle. Liberta-nos de ter respostas para tudo. Liberta-nos de sempre ter de estar certos. Permite-nos ter momentos em que chegamos ao limite de nossa capacidade de compreensão. Momentos em que o silêncio basta.


ROB BELL é pastor da Mars Hill Bible Church, nos Estados Unidos. É graduado pelo Wheaton College e pelo Fuller Theological Seminary, em Pasadena, Califórnia.

27 de novembro de 2008

A angústia nasce da necessidade de escolher

Daniel Munduruku

Penso nisso sempre que me confronto com uma constatação: entre os índios não existe crise existencial. Paro e me pergunto por quê. Constato de novo que entre os povos indígenas não se criam angústias. As crises nascem da angústia. A angústia nasce da necessidade de escolher...Isso vira um círculo vicioso, e o vício torna a vida uma busca insana pela felicidade, que, dizem, se encontra no conforto, na fuga da dor, no consumo.

O consumo, por sua vez, torna as pessoas egoístas e o egoísmo traz a solidão; e a solidão, a tristeza; e a tristeza, a falta de alegria; e a falta de alegria gera a angústia; e a angústia traz a crise, e esta é causada pela falta de rituais que dêem sentido à existência das pessoas.

As pessoas não têm onde se apegar, pois não têm uma tradição, uma ancestralidade.

Daniel é índio da tribo Munduruku no Pará, formado em Filosofia e licenciado em História e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Foi aluno do curso de pós-graduação em Antropologia Social, na mesma universidade.

Imagem: Sergio Martínez Sánchez Fechas, na página: umblogquesejaseu.blogspot.com/2008/01/estou-v...

5 de novembro de 2008

A lógica profética do cristianismo entra em contradição com a lógica do marketing

Jung Mo Sung

Recentemente o jornal O Estado de São Paulo reproduziu um artigo publicado nos Estados Unidos sobre a prática de diversas igrejas evangélicas usarem o video-game Halo 3 (um jogo extremamente violento que está fazendo muito sucesso) para atrair jovens às igrejas. O argumento é simples: as igrejas precisam e desejam atrair jovens para lhes pregar o evangelho e a mensagem de paz, mas como os jovens parecem não ter interesse nesse tipo de assunto, elas decidiram lhes o que eles querem (a oportunidade de jogar em grupos um video-game da moda) e depois tentam lhes anunciar a boa-nova de Jesus.
A principal discussão em torno desse assunto é se a experiência do jogo violento no interior da igreja não vai contra a mensagem de paz que a mesma igreja tenta pregar.

Sem entrar na discussão sobre a contradição ou não entre um video-game violento e a mensagem de paz (apesar de que nem sempre o que as igrejas pregam são realmente mensagens de paz), eu quero chamar atenção para o fato de que a lógica por trás dessa estratégia pastoral é a aplicação no campo religioso da lógica de marketing: pesquisar os desejos do público alvo e adequar a oferta a esses desejos.
Quando o objetivo maior de uma igreja é aumentar o número dos fiéis, parece-me bastante razoável que se aplique a lógica e as técnicas de marketing ao campo religioso. Pois, se há uma "ciência" bem desenvolvida para atender os desejos de seu público alvo e aumentar a fatia no "mercado" (seja religioso ou um outro) é o marketing.
Esta é a razão pela qual o uso da lógica de marketing não está restrito às igrejas dos Estados Unidos, mas também em outros países como Brasil. Há setores das igrejas cristãs que acreditam que a solução para os problemas pastorais e, especialmente, para fazer a igreja crescer (quantitativamente) está no marketing.
Esta proposta é bastante sedutora, pois muitos bispos e lideranças das igrejas estão, com certa razão, preocupados com o número de fiéis. E como as teologias tradicionalmente utilizadas nos seminários e nas pastorais não estão conseguindo solucionar este problema, marketing soa como uma inovação salvadora. Assim, muitas igrejas cristãs (inclusive a católica) possuem ou estão criando institutos de marketing a ou algo que parece como "departamento de marketing" no interior das igrejas.

O maior problema dessa tendência é que a lógica profética do cristianismo entra em contradição com a lógica do marketing. As igrejas e pessoas que assumem a missão de anunciar a boa-nova do Evangelho devem ouvir em primeiro lugar a Palavra de Deus, e não os desejos dos "consumidores". Pois se missão cristã é simplesmente atender os desejos religiosos do povo para encher as suas igrejas, o chamado à conversão não faz sentido. A conversão só ocorre porque as pessoas encontram valores e propostas que são diferentes do que estão desejando.
Oferecer viodeo-games violentos, adocicar a mensagem cristã ou reduzir as liturgias a shows emotivos pode ajudar encher as igrejas, mas é também correr um sério risco de esvaziar ou até mesmo negar o evangelho.

Por outro lado, eu penso que as igrejas podem e até devem levar em consideração as técnicas de comunicação e de marketing na sua missão profética de criticar as injustiças e desumanidades que marcam o nosso mundo e anunciar a esperança de um mundo mais humano.
A lógica do marketing não é compatível com a missão cristã, mas há técnicas e conhecimentos utilizados pelo pessoal do marketing que podem ser aproveitados em outras lógicas. Um exemplo simples disso: o uso das técnicas de comunicação visual na confecção de materiais das lutas sociais. O equívoco do pessoal que acreditam que o marketing é a "salvação" para a pastoral não pode nos levar a outro equívoco de não aprendermos os conhecimentos e técnicas utilizados no campo de marketing que poderiam ser muito úteis na nossa missão profética.

30 de outubro de 2008

Eles não querem que o cristianismo nos ajude a nos tornarmos pessoas completas

Brennan Manning in "O Evangelho maltrapilho"

O evangelho da graça continua a escandalizar. Os legalistas, puritanos, profetas da destruição e cruzados morais estão tendo uma sonora convulsão diante do ensino paulino da justificação pela graça mediante a fé.
Eles ressentem-se da liberdade dos filhos de Deus e descartam-na como libertinagem. Eles não querem que o cristianismo nos ajude a nos tornarmos pessoas completas; querem que nos sintamos miseráveis debaixo do seu fardo. Eles procuram intimidar-nos, amedrontar-nos, fazer-nos trilhar em fila sua via exclusiva de retidão, e controlar em vez de libertar nossa vida.
Seu espírito pervertido de legalismo quer mutilar o espírito humano e deixar-nos arqueados sob o peso de enormes carretéis de regras e regulamentos. A natureza notável da dedicação deles — o fanatismo é sempre impressionante — obscura o fato de que aceitaram o evangelho na teoria mas negam-no na prática.

Essas criticas podem parecer cáusticas, mas são na verdade brandas se comparadas com as palavras de Jesus em Mateus 23, onde ele descompõe os legalistas pelo apego sistêmico a ninharias que obscurecem o rosto de um Deus compassivo. "Impostores, mentirosos, hipócritas, sepulcros caiados, serpentes, ninhada de víboras" — essa é a indomável fúria de Jesus contra a prática religiosa corrupta (é claro que sou defendido bem demais por minhas próprias racionalizações para ser capaz de perceber que posso não ser tão diferente dos hipócritas quanto gostaria de pensar).

12 de outubro de 2008

JAMAIS NOS ENGANAREMOS


É possível nutrirmos a ilusão que somos amados por um deus que nos priva da liberdade, mas jamais nos enganaremos tentando admitir que servimos em correspondência amorosa a um deus que nos priva da liberdade.
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"Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão".
(Ap. Paulo aos Gálatas 5:1)
Imagem no seu contexto original: asoscomeles.blogspot.com/2007/06/1jul2007.html

19 de setembro de 2008

VINNY, O SOTEROPOLITANO DA MINHA VIDA

Tim Maia

Vou pedir pra você ficar
Eu te amoEu te quero bem
Vou pedir pra você gostar
Vou pedir pra você me amar
Eu te amo
Eu te adoro, meu amor!

A semana inteira fiquei esperando
Pra te ver sorrindo
Pra te ver cantando
Quando a gente ama não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar

De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isso que eu espero
Digo ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!
Espero para ver se você vem
Não te troco nessa vida por ninguém
Eu te amo!
Eu te quero bem
Acontece que na vida a gente tem
Que ser feliz por ser amado por alguém
Eu te amo
Eu te adoro, meu amor!

14 de agosto de 2008

Queremos voltar para o Egito, onde havia cebolas

Paulo Brabo

Nossas crenças são âncoras de legitimação, que nos mantém seguros no lugar mas nos impedem de seguir adiante – o que, convenhamos, é muito conveniente. Quem iria em sã consciência escolher abandonar o abraço confirmatório da crença comum e dar um passo em direção à vertigem da fé, ao desafio de tornar-se um indivíduo separado, distinto e singular (numa palavra, santo) diante de Deus? Queremos voltar para o Egito, onde havia cebolas; não suportamos o desafio constante, sempre iminente, sempre exigente, do deserto.

Extraido daqui: http://www.baciadasalmas.com/2007/minha-fe-nao-e-aquilo-em-que-acredito/
Imagem no contexto original: brincadeirasalaiadefuga.blogspot.com/2007/03/...

6 de julho de 2008

Um Deus concebível pela mente humana seria menor do que a própria mente

Ricardo Gondim

Um Deus que se submetesse a uma dissecação teológica, filosófica ou argumentativa não seria Deus. A mente humana não consegue sair das margens do conhecimento espiritual. Deus reside no infinito oceano da eternidade. Seu trono foi estabelecido bilhões de quilômetros depois da última galáxia, lá nos confins do universo. Mesmo que a luz, com sua incrível velocidade, percorresse eternamente a extensão do cosmo, mesmo assim, não chegaria até a morada do Altíssimo.

Teologia não estuda a anatomia espiritual de Deus; não consegue torná-lo compreensível; não o revela e nem o torna palatável. Um Deus concebível pela mente humana seria menor do que a própria mente, já que conseguiu abarcá-lo. Esse deus seria, portanto, o resultado dos raciocínios, ou seja, um ídolo.

"Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou." (João 1:18)

Ilustração:Rembrandt, A lição de anatomia do Dr Nicolas Tulp, 1632, Haia

24 de junho de 2008

17 de junho de 2008

Celebro: Deus conhece a minha fraqueza; Lamento: O diabo também.

Paulo Silvano

No ano de 2003 vivi uma experiência inesquecível. Participei de um retiro, desses que se fazem por ocasião do carnaval, com a presença de mais de 300 irmãos. Para mim, o retiro, fruto da parceria entre a minha igreja – Assembléia de Deus Betesda – e a Igreja Presbiteriana do Brasil de Três Corações - MG, apenas pela parceria (já pensou) foi inédito! (Passado o evento, comentei o acontecido com pastores presbiterianos, colegas do seminário, que indisfarçadamente esboçaram o desconforto, num quase uníssono: – Éé... vejam a que ponto chegaram os presbiterianos!).

Essa não foi única “surpresa”, fiquei boquiaberto quando nas reuniões devocionais, realizadas nos períodos manhã e noite, percebi que naquela mistura de “tradicionais” e pentecostais eu, com os meus quarenta e três anos de caminhada no arraial assembleiano, era na verdade o crente tradicional do encontro.

Vi muitos daqueles irmãos presbiterianos, maioria no acampamento, se cumprimentarem com o pentecostal “A paz do Senhor”. Apequenei-me quando vi jovens “reformados” gritando, de peito aberto e mãos levantadas, os avivados “Aleluia” e “Glória a Deus” que eu pentecostal, contaminado pelos pudores formais, já não retumbo com tanto fervor.
Emocionei-me quando vi o povo doutrinado a partir dos postulados calvinistas orar com tanta convicção a tal ponto que eu, de tradição arminiana, senti-me possuído pelo ciúme de uma coisa que achava “propriedade” da minha confissão: orar para mudar realidades.
Eles cantaram e celebraram Deus com tanto entusiasmo que eu, da caravana pentecostal, fiquei comovido e com vontade de ser renovado.

Contudo, para mim, o melhor estava por acontecer. Numa das ministrações matutinas, proferida por um pastor de outra igreja presbiteriana do sul de Minas, fomos sacudidos a ponto de alguns se escandalizarem com o que ouviram. Da mensagem, cujo texto bíblico e teor não me recordo exatamente, lembro que o referido pastor alertava para o fato que Deus conhece a nossa estrutura e sabe exatamente onde somos mais vulneráveis. Realçou ainda que o diabo também sabe qual é o nosso ponto fraco e que ele, contrariando Deus, que paternalmente nos ajuda nas fraquezas, tenta minar a nossa fé e macular o nosso caráter exatamente a partir do ponto onde a trama do tecido da nossa existência se revela mais frágil.

Para marcar a minha vida e a de muitos que o ouviam, o pastor terminou o sermão exemplificando e fazendo referência a si mesmo: “Eu sei onde reside o meu ponto fraco; eu era homossexual quando converti ao Evangelho e é justamente essa a minha luta hoje; resistir para não ceder e, então, voltar a prática daquele pecado”. (Notei que alguns ouvidos não suportaram a confissão e, ruborizados, deixaram o auditório imediatamente).
Depois de ouvir aquele homem algo mudou na minha vida. Justamente por não ser alvo da mesma investida sofrida por aquele servo de Deus, percebi que ao diabo não importa os tipos de pecados, importa sim a minha vulnerabilidade a pelo menos um deles.

Conferi, o meu drama quanto ao pecado não é diferente do daquele pastor; a nossa odisséia revela que a nossa fragilidade se assemelha em muito a de qualquer mortal. O apostolo Paulo, um exemplo a qualquer tempo, expressa em tom de desabafo o desconforto a que está submetido: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim”.

Só escapamos porque “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.

Sola gratia

imagem em seu contexto original: www.opusalegria.com.br/ideias06.html

2 de junho de 2008

Não quero mais ser apenas polemista ou apologista

Paulo Silvano

Descobri que, mesmo convicto de alguns postulados, não quero mais ser apenas polemista ou apologista. A minha alma, como a de qualquer mortal deslumbrado por ter achado tão grande tesouro, abre mão das "verdades" possuídas e das possuidoras e, inebriada pelo vislumbre do mistério da graça de Deus, resigna- se a porfiar em permanecer ao pé da cruz que consumou essa graça, até que, desvendado integralmente o mistério, eu, despido de disfarces e malícia, possa também afirmar que não me glorio "senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”.

23 de abril de 2008

Estou sob Deus, suplicante e humildemente dependente de seu amor

E.R.K.

Continuo acreditando que Deus está no controle de tudo, é livre para tomar decisões e afetar a realidade conforme sua vontade, cuida de mim e de todo mundo, faz e acontece na história e nas minhas circunstâncias, dispões de pessoas para a vida e para a morte, e o que mais você quiser ou considerar necessário atribuir como capacidade e direito a alguém que seja chamado Deus, afinal, por definição, Deus é incondicionado e ilimitado. Mas todas estas coisas atribuídas a Deus me são imponderáveis e inacessíveis.
O que me afeta de fato é que crendo em Deus e conscientemente me submetendo a Ele, experimento pensamentos e sentimentos que são meus, mas não têm origem em mim. Sou levado a um estado de ser ao qual jamais conseguiria chegar sozinho.
Deus é meu interlocutor amoroso.

Deus é meu companheiro de viagem. O que acontece fora de mim, se Deus faz ou deixa de fazer, se foi ele quem fez ou deixou de fazer, não me diz respeito, minha razão não alcança, e, portanto, não é objeto de minha preocupação para caminhar pela vida. Mas o que acontece dentro de mim, isso sim, é tudo quanto eu tenho e me basta. Tudo quanto tenho para orientar a minha peregrinação existencial são sentimentos e pensamentos que são meus, muitos deles que não tiveram origem em mim. Isso é questão de fé. E essa é a minha fé: estou sob Deus, suplicante e humildemente dependente de seu amor para me tornar tudo quanto estou destinado a ser, independente do que me possa acontecer.
A mim me basta saber que em pastos verdejantes às margens de águas puras e cristalinas, ou no vale da sombra da morte, nada preciso temer, pois Deus está comigo, refrigerando-me a alma, guindo-me pelos caminhos da justiça por amor do seu nome. A mim me basta saber que se Deus é por mim, ninguém pode ser contra mim, pois nada pode me separar do amor de Cristo:
"nem tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada, pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor".

Texto original: http://www.galilea.com.br/blog.asp
Ilustração: William Blake (1757-1827)The Ancient of Days, c. 1824Der Schöpfer, Le CreateurWatercolour(...)

26 de fevereiro de 2008

"Desejo conhecer Deus e a alma. E nada mais? Nada mais, absolutamente."
Agostinho

6 de fevereiro de 2008

A ORTODOXIA DA BOA CONSCIÊNCIA

"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro". Cícero

Bíblia NVI
Paulo, fixando os olhos no Sinédrio, disse: “Meus irmãos, tenho cumprido meu dever para com Deus com toda a boa consciência, até o dia de hoje”. Atos 23:1
Confesso-te, porém, que adoro o Deus dos nossos antepassados como seguidor do Caminho, a que chamam seita. Creio em tudo o que concorda com a Lei e no que está escrito nos Profetas, e tenho em Deus a mesma esperança desses homens: de que haverá ressurreição tanto de justos como de injustos. Por isso procuro sempre conservar minha consciência limpa diante de Deus e dos homens. Atos 24:16

(De fato, quando os gentios, que não têm a Lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a Lei; pois mostram que as exigências da Lei estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os.) Romanos 2:15

O objetivo desta instrução é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera. Alguns se desviaram dessas coisas, voltando-se para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas. I Timóteo 1:5

Para os puros, todas as coisas são puras; mas para os impuros e descrentes, nada é puro. De fato, tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. Eles afirmam que conhecem a Deus, mas por seus atos o negam; são detestáveis, desobedientes e desqualificados para qualquer boa obra. Tito 1:15

Temos, pois, um grande sacerdote sobre a casa de Deus. Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada, e tendo os nossos corpos lavados com água pura. Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel. E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Hebreus 10:22

Porque é louvável que, por motivo de sua consciência para com Deus, alguém suporte aflições sofrendo injustamente. Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal?
Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus. Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos.1 Pedro 2:19

Deus esperava pacientemente nos dias de Noé, enquanto a arca era construída. Nela apenas algumas pessoas, a saber, oito, foram salvas por meio da água, e isso é representado pelo batismo que agora também salva vocês — não a remoção da sujeira do corpo, mas o compromisso de uma boa consciência diante de Deus — por meio da ressurreição de Jesus Cristo, que subiu aos céus e está à direita de Deus; a ele estão sujeitos anjos, autoridades e poderes. 1 Pedro 3:21


Imagem em seu contexto original: www.sindioses.org/.../misterioconciencia.html

13 de janeiro de 2008

A ORTODOXIA DA CARIDADE

"Sabemos que o amor, quando puro, não admite nenhuma espécie de temor. Seria bom que todos alcançássemos aquele amor puro, em que o temor já não existe". C. S. Lewis

"O Amor-Necessidade clama por Deus de nossa pobreza; o Amor-Doação deseja servir a Deus, ou sofrer por Ele. O amor-Apreciativo diz 'Nós te damos graças por tua grande glória'. O Amor-Necessidade diz de uma mulher: 'Não consigo viver sem ela'. o Amor-Doação deseja proporcionar a ela felicidade, conforto, proteção - e, se possível, riqueza. o Amor-Apreciativo a contempla, e prende a respiração, e se cala, e se alegra por tamanha maravilha existir, mesmo que não para ele, e não se sente inteiramente deprimido por perdê-la, e prefirira perdê-la a jamais tê-la visto". C. S. Lewis
Bíblia NVI
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá.

Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.

Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.g Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.

O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.

8 de janeiro de 2008

A ORTODOXIA DA BELEZA

"O verdadeiro cristianismo produz beleza, assim como verdade, especialmente destacada nas áreas de relações humanas". Francis August Schaeffer (Lausanne, 1974)


Bíblia NVI


Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé?

Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas.

Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal .