
Os protestantes afirmam que a sua última autoridade é o texto das Sagradas Escrituras. Diante das múltiplas leituras possíveis do texto foi necessário tomar uma decisão sobre a leitura correta. Isto se fez pelo estabelecimento de um texto: a confissão. Ato de natureza política, porque as leituras heréticas só eram heréticas do ponto de vista dos que tiveram poder para impor a sua interpretação. Do ponto de vista do herege, a sua leitura é a verdadeira – e, portanto, ortodoxa – e a leitura ortodoxa é na verdade falsa e, portanto, herética".
Rudolf Otto, em O Sagrado
"Diz-se que a própria ortodoxia é que foi a mãe do racionalismo. Esta afirmação encerra uma parte de verdade. O que há de verdadeiro nesta frase não é apenas o simples fato de a ortodoxia se ter proposto como objetivo a doutrina e o ensino doutrinário – os místicos mais inflamados também fizeram isto – mas sim o fato de não ter encontrado forma, no seu ensino, de salvaguardar o elemento irracional do seu objeto. Nem sequer soube mantê-lo vivo na experiência religiosa. Menosprezando-o, ela tornou a idéia de Deus exclusivamente racional".