21 de outubro de 2009

"Agora conheço em parte"


Brian Mclaren, em A Igreja do Outro Lado


Aquilo que as pessoas pós modernas tendem a rejeitar não é a verdade absoluta, mas o conhecimento absoluto. E à medida que buscamos defender o conhecimento absoluto, nos mostramos defensores não da fé bíblica (que repetidamente afirma que “conhecemos em parte”), mas do racionalismo moderno (que demonstra uma confiança exacerbada em seus poderes autônomos de conhecimento que é difícil de enxergar).


Ter um universo repleto de verdade absoluta, mas um mundo cheio de pessoas incapazes de compreendê-la ou comunicá-la com absoluta exatidão é quase – mas não exatamente – o mesmo que não ter nenhuma verdade absoluta.


Além disso, quando as pessoas pós-modernas ouvem o adjetivo “absoluta” depois da palavra “verdade”, elas pensam nos norte-americanos brancos e racistas para quem era uma verdade absoluta o fato de que os povos indígenas e os negros eram inferiores, talvez sub-humanos. Elas pensam nos nazistas, para quem era uma verdade absoluta a necessidade de que os judeus fossem exterminados. Elas Pensam nos industriais para quem é uma verdade absoluta que o meio ambiente existe para dar lucro, não para ser conservado. Elas pensam nos políticos de hoje, para quem é uma verdade absoluta que encontraremos paz promovendo mais guerras.


Ao não conseguir enxergar essas preocupações válidas das pessoas pós-modernas,muitos cristãos na atual zona de transição continuam batendo o tambor da verdade absoluta e, quanto mais forte batem, mais primitiva, irracional e desesperadamente modernos eles parecem ser; francamente, penso que o termo verdade absoluta perdeu a sua utilidade.


"Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos; quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido”. I Coríntios 13: 9-12, NVI


Imagem em: http://fotos.sapo.pt/5PnrPZtWvoWqgcajgzPZ



6 comentários:

Marcos Wandré disse...

Graça e Paz, Pr. Paulo Silvano


Precisamos da humildade e sabedoria de Paulo revelada no texto de I Coríntios 13. Quanto mais mergulharmos no Amor, mais conheceremos a Verdade. É simples assim!

Um abração!

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

Uma alegria conhecer o seu blog. O Eterno
resplandeça o rosto DELE sobre ti.

Medite no Salmo 36.8,9

Abraços, Pr Marcelo

P.s>> Visite:

http://davarelohim.blogspot.com/

e veja a interessante matéria:

Encontradas moedas no Egito
com a efígie de José

Rubinho Osório disse...

Absolutamente brilhante!!!
Bom, muito bom mesmo!!!
Obrigado por partilhar!

Roger disse...

Genial! McLaren expos de forma brilhante as razões práticas e teóricas porque eu quase que institivamente deixei de apregoar que existe uma "verdade absoluta" (Aliás já debati isso com A. Nicodemos via coment. no Temporas).
Toda verdade é relativa e a única absoluta, de fato é A Verdade, um homem-deus. Ou seja impossível de ser plenamente analisada, sistematisada, catalogada com letras e palavras mortas.

javejireh disse...

Indo muito além de parafrasear Einsten:
"O mais incompreensível sobre DEUS, é que Ele seja compreensível"
Rodrigo *O Tecelão!
http://javejireh.wordpress.com

Ricardo Mamedes disse...

Caro amigo,

Ao contrário do Mclaren eu ainda fico com a única verdade absoluta: Deus. Não posso relativizar tudo, á maneira do sábio chinês "que pensava que era uma borboleta, ou uma borboleta pensando que era um sábio chinês".

A verdade de Deus se revela na criação e nós somos indesculpáveis por não percebê-la (sensus divinitatis). No momento em que tudo passa a ser relativo, Deus também deixa de ser absoluto. E o que restará? A Sua "morte", como quis Friedrich Wilhelm Nietzsche, ou o desespero, como quis Jean-Paul Sartre?

Eu prefiro ficar com a esperança do porvir, com a certeza da Verdade absoluta em Cristo, através dos instrumentos que Deus me deu para apreendê-LO, a saber, corpo, alma e sentidos. Tudo, a partir de Deus, por meio da graça.

Obrigado pela visita ao meu blog.

Ricardo.